📖 SINOPSE GERAL DO LIVRO

O Livro de Roseiral: Natureza, História e Gente no Médio Vale do Rio Doce

05/05/2026 - Aniversário de 43 anos de Felipe Serrano Léllis ( Oceanógrafo da Marinha do Brasil)

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O Livro de Roseiral é um compêndio enciclopédico que reúne, pela primeira vez em uma única obra, a natureza, a história, a cultura, a economia e a vida cotidiana do município de Mutum e de seu distrito de Roseiral, no coração do médio Vale do Rio Doce, Leste de Minas Gerais.


Organizado em 33 capítulos distribuídos em sete tomos, o livro percorre um arco que vai dos fundamentos físicos do território (geologia, hidrografia, clima, fauna e flora) até as perspectivas de futuro para a região, passando pela ocupação humana (povos indígenas, tropeiros, colonizadores), pela formação política e administrativa do município (incluindo a disputa fronteiriça entre Minas Gerais e Espírito Santo), pelas manifestações culturais (Charolas e Folias de São Sebastião, festas religiosas, folclore), pela economia (café, pecuária leiteira, agricultura familiar, eucalipto), pelos desafios socioambientais (assoreamento, desmatamento, contaminação hídrica) e pelos projetos de restauração e reparação em curso na Bacia do Rio Doce.


O livro dedica um tomo especial à família Serrano — uma das mais antigas e tradicionais linhagens de Roseiral —, cujo primeiro encontro, realizado em 2 de maio de 2026, inspirou a criação desta obra. O autor, Pedro Henrique Serrano Léllis, jornalista, biólogo e memorialista, conduz o leitor por uma jornada documentada, rigorosa e afetiva, combinando pesquisa em fontes primárias (Arquivo Público Mineiro, IBGE, IEPHA, cartórios, legislação municipal) com relatos orais, fotografias históricas e uma iconografia original em estilo de xilogravura de cordel brasileiro.


Mais do que um livro de referência para pesquisadores, gestores públicos, turistas e comunidade local, O Livro de Roseiral é um ato de memória e pertencimento — uma celebração de um território e de suas gentes, tecida com o rigor de quem pesquisa e a emoção de quem pertence.


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📘 SINOPSE DOS TOMOS


Tomo I – Fundamentos Físicos e Natureza


Capítulos 01 a 07


O Tomo I estabelece o palco sobre o qual toda a história de Mutum e Roseiral se desenrola. São apresentados os dados demográficos recentes (Censo 2022/IBGE) e a caracterização geográfica do município: localização, limites, extensão territorial e as variações altimétricas que vão dos 215 metros nos vales aos 1.104 metros nos pontos mais elevados de Roseiral.


A hidrografia é analisada em sua hierarquia completa: da macrobacia do Rio Doce às sub-bacias do Manhuaçu e aos rios locais (São Manoel, Mutum, José Pedro), com ênfase nos conflitos pelo uso da água, no assoreamento crônico e no legado do desastre de 2015 (rompimento da barragem de Fundão). O clima de Mutum (classificação Aw de Köppen) é descrito com suas estações bem definidas, temperaturas, precipitações e eventos extremos, como as tempestades severas que já assolaram a região.


A fauna e a flora ganham capítulos especiais: o mutum-do-sudeste (Crax blumenbachii), ave que dá nome ao município e que está sendo reintroduzida na natureza pelo Projeto Mutum (Cenibra/IEF); o jequitibá-rosa (Cariniana legalis), árvore-símbolo da Mata Atlântica; e as espécies ameaçadas de extinção que ainda habitam os fragmentos florestais remanescentes.


O tomo se encerra com uma análise geológica e geomorfológica detalhada: as formações rochosas da Província Mantiqueira, os monólitos de granito (Pedra Invejada, Pedra do Facão, Pedra do Gaspar), os vales encaixados e o processo de formação das piscinas naturais por erosão turbilhonar (potholes), que fazem de Mutum um polo de ecoturismo em potencial.


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Tomo II – Ocupação Territorial e Formação Histórica


Capítulos 08 a 15


O Tomo II narra a ocupação humana do território, desde os primeiros habitantes até a consolidação do município na divisa MG/ES.


Os povos originários — os Botocudos/Krenak — são apresentados em sua cosmologia, língua (Borun), cultura material (os botoques) e história de resistência, que inclui as guerras justas do período colonial, o confisco de terras, o Reformatório Krenak e a luta contemporânea pelo reconhecimento do Rio Doce como Watu sagrado, profanado pela lama da barragem de Fundão (2015).


Os tropeiros são os primeiros colonizadores não indígenas: com suas mulas, abriram picadas, criaram rancharias e deram origem aos núcleos de povoamento, deixando como legado o feijão tropeiro, os causos e a hospitalidade mineira. A ferrovia (Estrada de Ferro Vitória-Minas – EFVM) rompeu o isolamento da região, escoando café, minério e passageiros, e alterando para sempre a paisagem e a economia.


Roseiral ganha seu capítulo próprio: sua criação como distrito (antigo Bom Jardim), seu cartório de registro civil (instalado em 1896), seus dados populacionais e as obras de infraestrutura que transformaram o distrito – em especial o asfaltamento da estrada Mutum-Roseiral (2026), marco histórico de integração.


O município de Mutum é analisado em sua fundação (sesmarias de 1860, capela de São Manoel em 1882), emancipação contestada (criação do distrito por MG em 1911 e elevação a município pelo ES em 1912) e anexação definitiva a Minas Gerais (Laudo Arbitral de 1914, Lei nº 673/1916). A urbanização e a modernização dos serviços (água, luz, telefonia, mobilidade) completam o quadro, revelando os desafios que persistem: o saneamento básico deficitário, as estradas vicinais precárias e a ausência de um Plano Diretor municipal.


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Tomo III – Sociedade, Cultura e Tradições


Capítulos 16 a 20


O Tomo III é o coração pulsante do livro: a vida social, cultural e festiva de Mutum e Roseiral.


As Charolas e Folias de São Sebastião, registradas como patrimônio imaterial de Minas Gerais (IEPHA), são a expressão mais viva da religiosidade popular cantada. O giro anual (6 a 20 de janeiro), as toadas, a bandeira vermelha, os instrumentos (viola, sanfona, caixa, pandeiro) e o resgate da tradição em Roseiral (um dos objetivos do III Encontro de Charolas, 2016) são detalhadamente descritos.


Outras manifestações religiosas e festivas completam o tomo: a Festa do Padroeiro São Manoel (17 de junho), com sua procissão luminosa ("Lanterna de São Manoel"); a Festa do Bom Jesus em Roseiral (5 a 7 de agosto); a Exposição Agropecuária e o Encontro do Mutuense Ausente (julho); o 1º Mutum Arraia (festas juninas); o Carnaval (MutumFolia).


O folclore e as tradições orais são resgatados em um capítulo especial: os causos de Zé Mutum (herói cômico sertanejo), as lendas de assombração (mula-sem-cabeça, lobisomem, almas penadas) e o projeto "Corpo e Alma" da Escola Estadual Afonso Pimenta, que incentiva a pesquisa da cultura popular entre os alunos.


A comunicação em Mutum — das rádios comunitárias (Cultura FM, Mania FM) aos portais digitais (Mutum OnLine, Portal Mutum) e às redes sociais — é analisada como ecossistema midiático em convergência. O esporte e o lazer (futebol amador, Jogos Escolares de Minas Gerais — JEMG, cavalgadas) fecham o tomo, celebrando a alegria e a integração comunitária.


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Tomo IV – Economia, Trabalho e Sustentabilidade


Capítulos 21 a 25


O Tomo IV analisa as atividades econômicas que sustentam Mutum e Roseiral, bem como os impactos ambientais que as acompanham – e os projetos que buscam conciliar desenvolvimento e sustentabilidade.


A cafeicultura é a principal atividade econômica, com produção estimada de 180 a 200 mil sacas anuais de café arábica. O cooperativismo (Coocafé) tem sido fundamental para a modernização e para o acesso a mercados de cafés especiais. A pecuária leiteira, representada pela Fazenda Mutum em Roseiral (8.500-11.000 litros/dia, referência em genética Gir Leiteiro), é a segunda força motriz da economia local.


A agricultura familiar, organizada pela Associação da Agricultura Familiar de Humaitá (AAFH), produz para autoconsumo e gera excedentes comercializados em feiras. O eucalipto, embora com área plantada ainda modesta (662 km²), é uma atividade em expansão, com impactos ambientais controversos (erosão, assoreamento, contaminação por agroquímicos).


Os impactos ambientais são analisados sem meias palavras: desmatamento histórico (mais de 1.800 hectares desmatados na Bacia do Rio Doce entre 2018 e 2019), erosão hídrica (perda de 140 milhões de toneladas de solo/ano), assoreamento dos rios, contaminação por agroquímicos (glifosato, 2,4D, Mancozeb) e o legado do rompimento da barragem de Fundão (2015).


Os projetos de restauração e reparação, no entanto, trazem esperança: o Programa Terra Doce (Instituto Terra, R$ 70 milhões, parceria com KfW e WWF), o Reflorestar Doce (Governo ES, R$ 334 milhões), o Projeto Mutum (Cenibra/IEF, mais de 500 aves reintroduzidas) e o Projeto Fauna Mineira (monitoramento do tatu-canastra, muriqui e bicudo-preto no PERD) são apresentados em detalhe, com seus valores de investimento, metodologias (SAFs, PSA) e resultados alcançados.


O turismo e o potencial ecoturístico (cachoeiras, piscinas naturais, Pedra Invejada, Parque Estadual do Rio Doce, Circuito Turístico Mata Atlântica de Minas) e o artesanato e a gastronomia (doces de leite, queijos artesanais, cachaça, quitandas, feijão tropeiro) fecham o tomo, mostrando as oportunidades de diversificação econômica baseada na cultura e na natureza.


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Tomo V – Vida Cotidiana e Serviços


Capítulos 26 a 29


O Tomo V desce ao cotidiano: a educação, a saúde, a memória dos mortos (cemitérios) e a arquitetura vernacular.


A educação em Mutum tem sua origem na primeira escola ("Edifício Escolar", 1923) e se expande para uma rede de 43 escolas (27 municipais, 14 estaduais, 2 particulares). O distrito de Roseiral conta com uma escola estadual (EE Professora Rita Teixeira de Lacerda – Ensino Fundamental II e Médio) e cinco escolas municipais (Educação Infantil e Fundamental I). O transporte escolar (frota de 10 ônibus, R$ 3,7 milhões investidos) é essencial para o acesso dos alunos da zona rural, mas as escolas rurais ainda enfrentam desafios de infraestrutura (biblioteca, laboratório, internet).


A saúde é analisada em sua evolução histórica (das epidemias que originaram as Charolas ao Hospital São Vicente de Paulo, construído entre 1953-1965) e em sua situação atual: a Secretaria Municipal de Saúde, a Policlínica, o CAPS I, o Pronto Socorro e a rede de PSFs (Programas de Saúde da Família). A UBS de Roseiral (Unidade Básica de Saúde) foi reformada em 2024. No entanto, desafios persistem, como a baixa adesão à "Primeira Semana Saúde Integral" e a queda da cobertura vacinal no período pandêmico.


Os cemitérios são lugares de memória e genealogia: o Cemitério Municipal de Roseiral, onde repousam gerações da família Serrano; o episódio das "caveiras encontradas na propriedade de João Pedro Serrano" (Arquivo Público Mineiro, SIAAPM POL‑006); a arte tumular (cruzes de ferro forjado, anjos de cimento, fotografias em porcelana). O Dia de Finados é descrito como momento de mobilização comunitária e retorno dos mutuenses ausentes.


A arquitetura vernacular do período cafeeiro (casarões urbanos, casas de fazenda, Igreja do Bom Jesus, Capela Nossa Senhora do Rosário) é apresentada como patrimônio edificado a ser preservado, ameaçado pela falta de tombamento e pela pressão do mercado imobiliário. O ICMS Patrimônio Cultural é apontado como instrumento de incentivo fiscal para a preservação.


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Tomo VI – Política, Poder e Futuro


Capítulos 30 a 32


O Tomo VI analisa as estruturas de poder e as perspectivas de desenvolvimento para Mutum e Roseiral.


A comunicação é analisada como ecossistema de poder (quem controla os meios de comunicação controla a narrativa). As rádios comunitárias, os portais digitais e as redes sociais são as arenas do debate público, com potencial democratizante, mas também com riscos de desinformação.


A política é analisada em suas instituições: o Executivo municipal (Prefeito Claudinei Clemente, REPUBLICANOS, eleito em 2024) e o Legislativo (Câmara Municipal de 11 vereadores). O episódio da cassação dos dois vereadores do MDB por fraude à cota de gênero (2025) é narrado como exemplo das fragilidades do sistema eleitoral. As lideranças comunitárias em Roseiral (associações de moradores, lideranças religiosas, famílias tradicionais) são mapeadas, ainda que a Associação de Moradores do Bairro Roseiral encontre-se inativa ("inapta").


O futuro e as perspectivas são analisados em um capítulo especial: os investimentos em infraestrutura energética (Subestação Mutum 2 – Cemig, R$ 62 milhões), rodoviária (Provias – R$ 20 milhões na MG-108) e saneamento (obras da Copasa – R$ 30 milhões); os programas de restauração ambiental (Terra Doce, Reflorestar Doce) e de conservação da fauna (Projeto Mutum, Projeto Fauna Mineira); o potencial da cafeicultura especial, do ecoturismo e do artesanato como vetores de desenvolvimento sustentável; a urgência da aprovação do Plano Diretor municipal e do fortalecimento dos conselhos de políticas públicas.


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Tomo VII – Família Serrano e Genealogia


Capítulo 33


O Tomo VII é o único dedicado a uma única família – a família Serrano –, cuja história se confunde com a própria história de Roseiral.


As origens da família são documentadas a partir do registro fotográfico POL-006 do Arquivo Público Mineiro (caveiras encontradas na propriedade de João Pedro Serrano, década de 1930). O mistério permanece não solucionado: seriam sepultamentos indígenas, conflitos de terra ou um antigo cemitério improvisado? A fotografia, no entanto, é a prova material da presença da família em Roseiral desde as primeiras décadas do século XX.


Os logradouros que perpetuam nomes Serrano são descritos: a Rua Antônio Pedro Serrano (tio do autor) e a Escola Municipal Geraldo Elias Serrano (avô do autor). A participação política e social de membros da família é registrada (Edimar Lopes Serrano, Aguinaldo Serrano de Freitas, Sebastião Sérgio Serrano), assim como a dispersão geográfica dos Serrano para outros estados (ES, RJ, SP, GO, PR, SC, RS).


O capítulo se encerra com o relato do Primeiro Encontro da Família Serrano, realizado em 2 de maio de 2026, na quadra poliesportiva de Roseiral, ao lado da Igreja do Bom Jesus – o evento que inspirou a criação de todo este livro. O autor, Pedro Henrique Serrano Léllis, atuou como imprensa oficial do evento, e a obra é apresentada como um presente para sua família, para a comunidade de Roseiral e para as futuras gerações.


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Roseiral, distrito de Mutum — MG, 5 de maio de 2026.


Pedro Henrique Serrano Léllis

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